segunda-feira, 15 de março de 2010

ANJOS


Todas as manhãs quando cruzo a portaria do condomínio sempre vejo um senhor, com sorriso grande, escondido através do bigode grisalho, me acenando apenas com o olhar.
De uns dias pra cá, ele tem se aproximado, às vezes em silêncio, me acompanhando os poucos metros que separam a porta do condomínio à esquina da rua.

Negro, aparência de sujeito bonachão, de uns 60 anos de idade mais ou menos, pq será que todos os dias ele sempre surge para me acompanhar até a esquina?
Só que hoje foi diferente...

Aquele sorriso veio logo pronunciando um feliz "bom dia", e eu, respondi com o mesmo entusiasmo, pensando que ele devia estar feliz, já que ao invés de apenas acenar, ele falara alguma coisa.

Como qualquer pessoa que dorme pouco, trabalha bastante e ainda estuda,
confesso que meu cansaço, não me deixava ser tão entusiasta quanto o amigo que me abordara; Mas algo nele me chamou a atenção, pois, ao me desejar bom dia, ele falou: "tenha um ótimo trabalho".

Deus do céu será que hoje é meu dia de sorte? às vezes estamos tão preocupados com o próprio umbigo, que a magia das pequenas coisas ficam escondidas pelas máscaras diárias das rotinas...
Ao me desejar bom trabalho, eu olhei para aqueles olhos e retribui, desejando-lhe em pensamento todo o bem que estava me fazendo.

Falou-me que era professor de artes, que se sentia desvalorizado porque os técnicos estão tomando conta do mercado e não sabiam o verdadeiro significado da arte...
Eu apenas sorri, e ele com um ar sereno, apertou minha mão e dizendo: "Vai dar tudo certo na sua vida menina, que Deus te abençoe"

Os olhos marejados me permitiram somente falar "amém", meus ombros pesados logo se ergueram e um ar de confiança pousou sobre mim...
Acenei para o senhor, e ele ainda me olhando disse: "VAI DAR TUDO CERTO FERNANDA"
Jamais duvidei da existência dos anjos, não digo que esse homem fosse um deles, mas em sua manifestação naquele momento, certamente teve um toque divino, ah como Deus é bom! Lembrei daquela frase que diz que a menor intenção de ser melhor já é amor...
o sucesso da gente só depende da intensidade de amor que alocamos para cada um de nosso feitos.

Aquele senhor me deixou feliz, confiante e pronta para encarar o dia que estava começando!
Atravessei a rua animada, sorrisão... de repente eu parei. Um espanto tomou conta de mim.
Eu não lembro de ter falado o meu nome para aquele homem. (09/02/2007)

Dona Leda




Dona Leda é uma velhinha pequena como porcelana,
das bochechinahs vermelhas e olhos verdes brilhantes;
seus vestidinhos discretos combinam com as sandalinhas tamanho 32.

Carrega toda prole debaixo da sua asa,
filhos, netos, bisnetos.
Não por superproteção, mas por oração.
Jamais esquece a data de um aniversário,
Conhece cada um dos seus como a palma de sua mão.
Sabe dsicernir os gostos, jeitos, humores
de cada um como mágica.

Ah, que ninguém mexa com os queridos
da Dona Leda.
A pequeninha vira gigante.

Dona Leda tem seus preferidos e não esconde.
Entre os netos, a mais velha é sua pupila.
Ajuda, protege, lembra todos os dias,
presenteia, acarinha...ama!

Doçura em forma de ser humano.
Conquista cada um por onde passa,
seja pela sua educação afável ou
pelo cheiro delicioso de seu café.

Dona Leda sempre carrega uma sacolinha de plástico,
até hoje nunca ninguém entendeu, ou sabe o que
há dentro dela.
Mistério? não mais. Pois todos já se habituaram a
ver Dona Leda com a inseparável sacola.
Por vezes cheia, outras vezes apenas vazia,
dobradinha em suas mãos.

...
Suponho o que há dentro desta sacola.
Dona Leda exteriorizou seu coração
através da sacolinha.
Nela, carrega lembranças,
orgulhos, encantos e desencantos,
de 76 anos de uma história de
vida, humanidade e caráter.

Se um dia alguém chegará perto do
ser humano que é Dona Leda?
Não sei. Pouco provável.

Mas em toda esta história, eu já saio ganhando,
pois tenho o provilégio de ser a neta mais velha!

sábado, 13 de março de 2010

Vida escrita à lápis!


Vez que outra fecho os olhos e involuntariamente vem à minha lembrança fatos que me fizeram rir...
Lembro e relembro e volto a chorar... de rir!
- o dia em que minha vó saiu correndo atrás de uma barata com o chinelo na mão... normal! se a barata não estivesse voando...
- o dia em que estava no uruguai, sem falar uma palavra em espanhol, fazendo gestos e trejeitos para a moça do mercadinho entender que eu queria geléia,e não um pote de mel...
- quando fui à uma exposição no Palácio Itamaraty em Brasília, cheio de gente importante e eu usava calça rasgada e all star ...
- Meus tombos, meus acampamentos, minhas viagens...
Sessão nostalgia...
Sorriso de leve...
E o baile segue... com a arte de uma vida pintada com imperfeições, mas com um lindo esboço à lápis, onde tenho rabiscado e planejado até o último dia de minha existência.
Sim... à lápis, para que a qualquer momento possa corrigir, mudar, alterar...
Afinal... eu, como qualquer ser humano tenho direito de mudar, de refazer, de rasgar e jogar fora!
E o que está pintado???
Cuidadosamente guardado em meu baú chamado passado.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Uma lição de vida por $40

Lidar com o preconceito é sempre uma tarefa árdua, até para aqueles que (como eu) se intitulam "mente aberta". Ontem viria a descobrir, que ninguém é o suficiente, nem mesmo eu.

Sempre que passava pela Praça da Alfândega, aquele hippie estava ali, sentado vendendo seus trabalhos, com o ar sereno e despreocupado de ser. Depois que coloquei os dreads, ele passou a me cumprimentar. Com o tempo, me estendia a mão, e dias depois passaria seu telefone, oferecendo-se para cuidar do meu cabelo.
Eu, como qualquer pessoa comum, tinha certo receio, puro preconceito, afinal a sociedade não é fácil. Ouvi de muitas pessoas próximas coisas do tipo: "te certifica de que ele é decente", ou "tu enlouqueceu" ou coisas piores. No auge dos meus 29 anos, posso dizer que uma das minhas características mais fortes é a teimosia, ou opinião própria, interprete como achar melhor. Sigo o que acredito que devo, na maioria das vezes em silêncio, porque acredito que o que faz barulho é carroça vazia.

O fato é que, eu fui até o hippie e ele me levou para arrumar meu cabelo, em um apartamento no centro. Havia outras duas pessoas lá, também da mesma tribo, onde eu passaria pelo menos 3 horas ouvindo histórias.
Quando eu pensei que podiam falar de pulseirinhas e colares, falavam de mananciais, natureza e cultura indígena.
Quando cogitei que falariam em maconha, falaram em PIB, potencial político, governo e democracia.
E na hora que imaginei que poderiam falar de suas banquinhas na praça, falaram de suas viagens pelo país, de norte a sua, em detalhes, passando de Acre a Tocantis, nordeste a pantanal.
A cada história, o preconceito caía em mim feito máscara de papelão, abrindo espaço ao respeito à uma ideologia, diferente da minha, mas pessoas como eu, com sonhos, desejos e necessidades.

Infelizmente a sociedade não está de portas abertas ao que à primeira vista não é "normal", mas afinal, qual o conceito de normalidade?
Não posso mudar longe o que antes não mudei dentro de mim, e fico feliz em admitir e perceber que não sou comprometida com os meus erros.
Depois de tantas histórias, uma inevitável auto-análise. Eu, com todo meu estudo de universidades, livros e teorias, me senti pequena, perto da inteligência de vida daquele homem.
Sim, preciso olhar para o lado, deixar a tecnologia para depois, e sentir, simplesmente sentir, que a mágica de viver e aprender com as pessoas está justamente aí, nessa enorme e feliz diversidade.
Os $40? foi o melhor investimento da semana. Aprendi coisas que levarei para o resto da vida.
O meu cabelo? não está mil maravilhas, mas vai ficar bom.
O hippie? Deixou-me em casa no seu carro, preocupado com a minha segurança.

Depois disso tudo, me curvo e ao levantar, deixo a emoção falar através do meu aplauso.

quinta-feira, 11 de março de 2010

De volta

Olhei o ultimo post... 6 meses atrás...
tanta coisa aconteceu nesse tempo, que talvez em uma vida inteira
pacata de uma boa taurina eu não faria.
Utilizava este blog apenas para guardar textos ou quando estava muito triste.
Hora de reativá-lo.

Não para falar em coisas tristes, mas quem sabe partilhar idéias de uma cabeça que ferve sem parar...

E AQUI DOU O START...PARA AS MINHAS CRÔNICAS!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

"Definir-se é praticamente limitar-se.
Por isso sou um completo enigma, o qual nem eu nem você podemos resolver.
Só o tempo resolverá."

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Todo mundo quer paixões arrebatadoras. Eu não.
Eu quero tranquilidade. Eu quero namorar em casa.
Eu quero chegar as nove e ir embora a meia-noite.
Eu quero dormir junto no fim de semana. Eu quero ver a novela das oito.
Eu quero fazer jantinhas no sábado.
Eu quero pegar na mão, fazer cafuné e chamar de "môr". Eu quero poder dormir sem transar.
Eu quero conversar com a sogra. Eu quero beber cerveja nas festas de família.
Eu quero contar piadas para os cunhados. Eu quero dar lingerie de presente.
Eu quero falar bobagem. Eu quero ouvir bobagem. Eu quero falar de trabalho.
Eu quero comer o almoço requentado. Eu quero fazer programas de casal.
Eu quero fazer maratonas de filmes. Eu quero ficar embaixo do edredon.
Eu quero tomar vinho a dois. Eu quero almoços de domingo.
Eu quero aniversários de sobrinhos. Eu quero ficar conversando na cozinha.
Eu quero tocar nos lugares certos. Eu quero beijar uma boca conhecida.
Eu quero brincar com a pintinha escondida. Eu quero tirar calcinhas de algodão.
Eu quero sentir o cheiro de banho recém-tomado. Eu quero cabelos molhados.
Eu quero luz de velas no quarto. Eu quero motel, carro, corredor.
Eu quero dormir de conchinha. Eu quero saber a hora certa de parar.
Eu quero olhar no olho e ler os pensamentos. Eu quero cara de choro e manha.
Eu quero surpresas românticas. Eu quero noites memoráveis. Eu quero confiar cegamente.
Eu quero olhos brilhando. Eu quero dizer "eu te amo" com sinceridade.

Quem precisa de paixão? Eu preciso de amor. Verdadeiro, eterno e incondicional."

quarta-feira, 24 de junho de 2009

MUDE

Mas comece devagar,
comece na sua velocidade.
Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama;
depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais,
leia outros livros,
viva novos romances.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.
Tente o novo todo dia.
O novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
A nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde, ou vice-versa.
Escolha outro mercado,
outra marca de sabonete,
outro creme dental.
Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
e de modos diferentes.
Troque de bolsa,
de carteira,
de malas,
troque de carro,
compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
E pense seriamente em arrumar um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.
Dê uma chance ao inesperado.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente a gostosura da surpresa.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores,
-- mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
o entusiasmo,
a energia.
Só o que está morto não muda!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Pressa

Estas linhas escrevo-as com pressa
Pressa não sei de quê
Mas com vontade de ir não sei onde

Sim, com pressa porque tenho pressa
De partir para todos os lugares onde já morri
Pressa de viver com todas as ansiedades

Linhas escritas com pressa de chegar ao fim
Sem que nada diga ou queira dizer
Mas querendo dizer o tudo que ainda não sei

Guardei no mais profundo das mãos
Todos os espinhos com que me feri
Mas nesta pressa em que estou
Sinto-os... leve, dormente, indolor


Pressa... já que as metas estão traçadas
e o caminho é esse, o sentimento agora
é de pressa...os 33 kilos, a promoção,
os concursos, a grana e tudo mais o que virá por trás disso.
Enfim... quero correr e saber o que virá!
Seja o que for, será o melhor, pq este é
o ano do sucesso!

domingo, 11 de janeiro de 2009

Se as coisas são inatingíveis...
ora!Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!