terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A dança


Parece que ouço a voz de minha mãe ao telefone, dizendo:
- Ria de suas limitações e vá a luta!
Há quem tenha dificuldade com os números, existe os que não aprendem a jogar xadrez, e eu, em especial, exibo uma completa falta de sintonia com o ritmo.
Dançar nunca foi meu forte, na verdade, nem meu fraco.
Simplesmente não sei.

Limitação, variação, inspiração.

Coincidência, paradoxo ou não, além de dança ser a grande limitação que me afere,
o maior poema da minha vida, se chama "A DANÇA" (Neruda).
Este, acompanha o sonho mais romântico de minha vida, onde um dia,
aos pés da torre Eiffel ou em uma ponte em Amsterdam,
o direi para qual criatura fizer meu sentimento gritar.

Ritmo, sintonia, sincronia.

Embora saiba seus passos de cor,
se esta dança for difícil tal qual àquela que assola
minha coordenação motora, "dancei".
no sentido mais poético de todos.

Prefiro acreditar que esta será a única Dança que
realmente saberei embalar com ritmo e sorriso
a minha vida!

Paradoxos I


As vezes, sou sensível demais para mim,
que acabo sem saber de que forma lidar comigo

Me procuro em busca de conselhos
mas não sei o que dizer.

Desabafo, me ouço,
mas não me abraço.
Não sou conivente com meus dramas.
Não me apoio.

Mas realmente, ando precisando de mim.
E agora? onde encontro meu ombro para me debruçar?

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Definições VII


O nada é tão grande dentro de mim,
que transbordo-me o desespero
do vazio.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Meus Contrastes I (Calcinha de Renda)



Vibrei com as luzes dos últimos fogos da noite. Era natal.
Decidi abrir o pacote e, no escuro, percebi que o embrulho tratava-se de uma calcinha. Não pude ver os detalhes muito bem, mas não importava. Presente é presente!
Sem muito me preocupar, dei continuidade às comemorações natalinas, deixando a peça no pacote entreaberto no braço de uma das poltronas.

Antes de estudar as reações, vou recapitular...
Adepta do do conforto e praticidade, nem consigo lembrar-me de como eram e a procedência das calcinhas que eu usava até os meus 18 ou 19 anos. Sei bem que hoje em dia, uma coleção de cuequinhas contempla meu guarda roupa. Das mais estilosas às básicas, o fato é que, estético ou não, prefiro usar shortinhos à calcinhas.
Embora não use nada muito elaborado, lembro-me sempre da minha vó pedindo para tomar cuidado com as calcinhas, afinal nunca se sabe quando pode ser atropelada na rua e inevitavelmente ter a calcinha vista por uma legião de curiosos.

Sou cuidadosa. Não compro calcinha no camelô da Rua dos Andradas a R$ 5,00, nem aquelas feita de algodão com estampas de vovó e, como muitos outros, acho broxante os modelos bege. Modelo lindo só se for confortável, chique na minha concepção sempre será a marca que me fizer bem. Ou seja, nem me abala o outdoor com a Grazi Massafera usando aquele modelito da Hope, ou aquelas "fofurices" do universo feminino expostas nos manequins da Lupo.

Voltando à noite de natal, fui analisar o tal presente. Presente de mãe ainda por cima. Era um modelo rosa, de renda e com flores de strass cuidadosamente bordadas.
Naquele instante, os olhinhos brilhantes da minha mãe acusavam que não tratava-se de uma piada, era um presente sério.

Ah... eu sou estranha! A impressão que tive caso usasse a dita peça, era de que todos iriam reparar e quiçá, gargalhar! Bom, pelo menos não era cor da pele e nem estampa floral igual-a-da-bisavó. Mas, sei que elas são desastrosas; Na primeira oportunidade as malditas saem do lugar e se enterram onde menos se espera. Ou pior, sua renda sensual podem cobrir a pele de alergias. É uma incógnita para minha cabeça. Jamais usarei isso. Humpf.

Usei a calcinha na virada do ano.
Como foi a expriência?
Prefiro deixar o papo íntimo para outra hora.

O que sei, é que posso contar que, um dia experimentei meus contrastes.
Mas respiro aliviada de não ter sido atropelada naquela noite!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Conversa Fora II


As crianças brincam alegres pela sala, enquanto suas mães conversam:
- Meu marido morreu há dois anos.
- Sério? tadinha da sua filha, responde a vizinha desolada.
Como quem quisesse afagar a criança com piedade, chama-a junto de si e desabafa:
- Que pena, você não tem pai.
A criança, no auge dos seus cinco anos, mas com grandeza de adulto, calmamente responde:
- Lógico que tenho pai. Ele morreu, mas continua sendo meu pai.

Silêncio oportuno.
Inteligência é nata.



terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Conversa fora I

- Pintei o cabelo.
- É mesmo? Pintou de verde?
- Não, de preto?
- Que pena. Eu adoraria conversar com um duende.

Papo convencional nunca foi o meu forte.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

DEFINIÇÕES VI


Se tudo o que temos é o que restou,
resta-nos descobrir o que se pode fazer
para o que ainda não se tem.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Não te quero mais



Aquele sonho não mudou a minha noite.
Alterou o rumo do que chamara emoções;
Sentimentos puros que guardara,
quase com delicadeza infantil
foram devastados pelo pesadelo.

Eu nadava ingenuamente num riacho.
Por sua vez imundo, barrento, mas sorria
com sua presença ali comigo;

Foi quando notara que não estávamos sós.
Entre nós, em meio meio à toda sujeira,
Dezenas de corpos boiando, quase monstruosos.

Com força de todo sentimento que havia em mim,
eu gritava, alertava; E você, continuara
a nadar, displicente, como quem não quisera
me ouvir, ou sequer preocupava-se com
meu desespero.

Saltei daquela água, apenas te vendo gargalhar.
Olhava-me, rindo maldosamente. Me apontava,
dizendo que eu não era ninguém em sua vida.

Acordo aos sobressaltos, pensando:
Mas que raios tudo isso poderia significar?
Na dúvida, prefiro não saber.
Não te quero mais.

Suas gargalhadas ainda ecoam dentro de mim.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O carro que sonhava



Era uma vez um carro que sonhava.

Ele sonhava em ser artista.
Passa os dias ensaiando suas performances.
Geralmente em shows imensos, no meio da rua, lógico.
Lugares de trânsito intenso são seus preferidos.
Afinal, há de se ter platéia que o admire.

Ele também sonha em ser doce.
Em dias de bom humor ele fora capaz de percorrer mais de mil quilômetros, quase sem reclamar. Digo quase, porque teve sede, rompeu ligamentos dos joelhos, digo da correia;
Coisas da idade, afinal já não é mais nenhum garoto.

Outro dia sonhou que queria ser policial.
Logo, não sossegou enquanto não visse mil viaturas à sua volta.
Achara o máximo aquele movimento de polícia, guincho,
deixou até um bandido entrar dentro de si só para que tudo ficasse
mais realista. Ele gosta de emoções.
Exibicionista que só, deu-se por satisfeito somente depois que
os jornalistas o filmaram.
Ele é intenso.

E por falar em intensidade, ele também sonha com o perigo,
em especial quando está romântico.
Já quis sentir o cheiro de impacto, afinal,
nada mais excitante do que os grandes encontros.
Esse carro é uma figura.

Também já sonhou com o medo. Quisera sentir sempre,
esse, ele acha o máximo. Conseguiu passar horas parado a meia noite
nos fundos de um cemitério, se perdeu na Restinga de madrugada,
ficou sem freio em horário de pico...
Ah o medo! Tão bom se sentir vivo! Ou nem tanto.
Ele é um paradoxo.

O cinema é uma de suas paixões, logo, ele sonhou e resolveu fazer a sua performance "SINGING IN THE RAIN". Lógico que, para dar veracidade aos fatos, deveria ser no meio da noite em plena freeway no auge de um temporal.

O fato de ser sonhador o deixa um tanto distraído.
Ele vive esquecendo as coisas por aí. Dia desses foi a surdina que ficou
num estacionamento, agora, deu para esquecer os seus retrovisores onde quer que
pare para um happy hour.
Pequenos detalhes de uma personalidade forte e atrapalhada, mas inteiramente do bem.

Entre ser perfeito e experimentar as sensações, ele resolveu se permitir,
"custe o que custar". Sonha o que quiser, a hora que quiser.
E realiza tudo!

Dizem que as coisas tem a cara do seu dono, não sei. Mas começo a acreditar que sim.
Não posso culpá-lo por ele ser o que é.
No fundo, sinto orgulho de ter um sonhador como companheiro
e alimento para tantas de minhas histórias.

Era uma vez uma carro que sonhava.
Esse carro é meu.
Talvez ele nem seja um carro, seja um cometa.
E talvez eu não seja eu.

Quando arte se encontra

ENERGIA da COR
INTENSIDADE do ASTRAL
MÚSICA do SENTIDO
CHEIRO de SOL
LUA de SORTE

COR da MÚSICA
ASTRAL do SOL
INTENSIDADE de SORTE
CHEIRO de ENERGIA
SENTIDO da LUA

Transpiração
Inspiração
Expiração
Piração

Embriaguez de arte, Boe(h)mia, blues e poesia!


Um brinde à Joana Heck, Lívia Auler e Tutu Moraes