quinta-feira, 7 de julho de 2011

Rosa dos Ventos



Ampulheta a céu aberto
Natureza em verso
Horizonte pálido.

E o meu norte,
Eu entrego à sorte.

Entranhas estranhas
Geografia em poesia,
Halo de vida esquisita.

E meu oeste
Sigo como teste.

Fendas profundas
Caminhos rasos
Marcas de tempo.

E o meu centro,
Faço prosa de vento.

Vibrares de asas,
Alquimia de chuva
Boêmios de inverno.

E o meu leste
Faz-se cafajeste.

Estradas de quases
Momentos fugazes
Aventura incomum

E o meu sul
Faz-se distante azul

No fim eu descubro,
Entre corpo de mormaço
E desenho de cansaço,
Que meu ser é bordado de rosa;

Desambientada
Desorientada
....Rosa dos ventos

domingo, 3 de julho de 2011

MINI CONTO





Pensamento é um príncipe encantado
Montado no cavalo devaneio,
Para libertar a princesa mordaça.

sábado, 2 de julho de 2011

Trem desgovernado

Na mala levo intenções urgentes,
De calçada em calçada vou de partida e de chegada.

Não sei para o que vim, sei que estou.
Eu sou vida, eu sou morte.

Quero sempre os extremos:
Do frio ao calor
Do espetáculo ao horror

Da poeira do caminho desconhecido
À satisfação do limite nunca alcançado

Eu sou liberdade,
Me perco, me encontro e
Não me contento.

Com sentido feito bússola,
Desafio o horizonte e
Procuro esgotamento.

Jamais vou dizer que não posso respirar.
Sou a vida que vivo,
E estou muito aquém de onde ainda posso chegar

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Trigêmeos



Eram três.
A mente, onde residia os paradoxos.
O Corpo, pista de pouso das aspas.
E a alma, que, percebendo a insanidade dos irmãos,
fugiu.
Casou com o vento e foi morar num lugar qualquer.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Sonho

Voltando da aula. Abatida pelo cansaço.
No banco da frente do ônibus um diálogo
quase poético-banal, se não fora pelo adiantado da hora:
- Mas qual teu sonho afinal?
Ela respondeu com veêmencia:
- Eu quero ele, mais nada.
A outra abraça a amiga em tom consolador.

Como quem não tem nada melhor para pensar
naquele momento, eis que me pergunto:
Qual o meu sonho?
... Ainda não me apresentaram melhores
do que aqueles de creme com açúcar.

domingo, 1 de maio de 2011

Onde está?


Cansei.
Incrédula demais para acreditar que ele
possua endereço em algum lugar.
- Mas o que procuravas?
O destino.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Trocas

Desde que troquei asas por pés,
sinto saudades do céu.

domingo, 24 de abril de 2011

Aos poucos

Cada vez que quero sumir,
eu morro.
Aos poucos, aos prantos.

O corpo é cheio de processos.
Os que se sabe,
e os que insistem anonimato.

Desperto novas sensações no ser
para tentar o fim do labirinto,
de onde sequer entendo os meados.

E acabo por pensar que
quem morreu,
apenas se adiantou em relação à mim.

Íntimo

Ando numas de
abrir ao contrário e
expressar ao avesso.

Não sei se me mato
ou se nego o fato.

Não entendo mais
se é coragem ou covardia.
Essa quietude que fere e interfere,
seja lá o que for é demasia.

Na ânsia de gritar,
estico frases para tentar
desconhecer que é
totalmente desnecessário
demonstrar para dentro.

Coelhos

Era espertinha.
Em dias de páscoa acordava antes do sol para esperá-los.
Adorava negociar com eles. Trocava sorriso por chocolate, boa educação valiam pirulitos,
e fama de boa menina, rendiam ovos de marzipã.
Na ansiedade de procurar guloseimas, encontrava diversão, atropelava carinhos, tramava doces.

Hoje acordo antes do sol, talvez por não ter dormido.
Sorriso não conquistam negócios, boa educação não vale nada além de obrigação.
E fama de boa menina...para que serve mesmo?
Hoje, contemplo quartos vazios e espaços vagos de silêncio.
Não sou mais espertinha.