terça-feira, 19 de julho de 2011

Beabá


Reciprocidade é uma espécie de
 sentimento que foi letrado.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Esconda-me

Faça a lua de palpite
Ou esconda-me de novo,
Ainda hoje.

Caso se recuse,
Culpe o sol, por arder demais
Ou o sentimento pelo equívoco.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Uma noite


Noite feito bofetada.
Cinzeiro cheio, copo vazio
Esboço de embaraço.

Das entrelinhas à angústia,
Um olhar de estátua cinza
Esquecida ante o espaço.
Embriaguez oportuna
Fez-se remédio de
Dor eminente.
Diante daquilo que deixou
Um pequeno amasso.

Na alma e no carro.

domingo, 10 de julho de 2011

Tempo e Moda


Foi-se o tempo que saudade era sinal de fraqueza,
que chorar curava males,
e perfeição era beleza.

Passou a moda em que dignidade era comum,
Falta de caráter absurdo,
E esperança valia algum.

Foi-se o tempo que silêncio expressava dor,
palavras conteúdo
e beijo amor.

Passou a moda que dias cinzas eram feios,
concordar era chique,
e verdade dita sem rodeios.

A moda tem tempo,
O valor vira trapo
E o homem envelhece
esquecendo
que um dia,
ele perece.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Rosa dos Ventos



Ampulheta a céu aberto
Natureza em verso
Horizonte pálido.

E o meu norte,
Eu entrego à sorte.

Entranhas estranhas
Geografia em poesia,
Halo de vida esquisita.

E meu oeste
Sigo como teste.

Fendas profundas
Caminhos rasos
Marcas de tempo.

E o meu centro,
Faço prosa de vento.

Vibrares de asas,
Alquimia de chuva
Boêmios de inverno.

E o meu leste
Faz-se cafajeste.

Estradas de quases
Momentos fugazes
Aventura incomum

E o meu sul
Faz-se distante azul

No fim eu descubro,
Entre corpo de mormaço
E desenho de cansaço,
Que meu ser é bordado de rosa;

Desambientada
Desorientada
....Rosa dos ventos

domingo, 3 de julho de 2011

MINI CONTO





Pensamento é um príncipe encantado
Montado no cavalo devaneio,
Para libertar a princesa mordaça.

sábado, 2 de julho de 2011

Trem desgovernado

Na mala levo intenções urgentes,
De calçada em calçada vou de partida e de chegada.

Não sei para o que vim, sei que estou.
Eu sou vida, eu sou morte.

Quero sempre os extremos:
Do frio ao calor
Do espetáculo ao horror

Da poeira do caminho desconhecido
À satisfação do limite nunca alcançado

Eu sou liberdade,
Me perco, me encontro e
Não me contento.

Com sentido feito bússola,
Desafio o horizonte e
Procuro esgotamento.

Jamais vou dizer que não posso respirar.
Sou a vida que vivo,
E estou muito aquém de onde ainda posso chegar

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Trigêmeos



Eram três.
A mente, onde residia os paradoxos.
O Corpo, pista de pouso das aspas.
E a alma, que, percebendo a insanidade dos irmãos,
fugiu.
Casou com o vento e foi morar num lugar qualquer.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Sonho

Voltando da aula. Abatida pelo cansaço.
No banco da frente do ônibus um diálogo
quase poético-banal, se não fora pelo adiantado da hora:
- Mas qual teu sonho afinal?
Ela respondeu com veêmencia:
- Eu quero ele, mais nada.
A outra abraça a amiga em tom consolador.

Como quem não tem nada melhor para pensar
naquele momento, eis que me pergunto:
Qual o meu sonho?
... Ainda não me apresentaram melhores
do que aqueles de creme com açúcar.

domingo, 1 de maio de 2011

Onde está?


Cansei.
Incrédula demais para acreditar que ele
possua endereço em algum lugar.
- Mas o que procuravas?
O destino.